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Peças de Bicicleta – Original ou Falsificada?

Bolsas, relógios, óculos e roupas, a indústria das falsificações movimenta bilhões ao redor do mundo e praticamente nenhum produto está a salvo desse comércio ilegal, nem mesmo bebidas, alimentos e remédios escapam da indústria da fraude.

Marcas famosas e consagradas são afetadas todos os dias com mercadorias falsificadas e de origem duvidosa.

No mercado do ciclismo não é diferente. O Brasil tem sido alvo desses produtos que chegam cada vez em lojas de peças de bicicleta. Quadros, câmbios, mesas, guidões e rodas, além de vestuário como bermudas, camisas, capacetes, óculos e, claro, bicicletas completas que imitam modelos famosos.

Parece mas não é: Exemplo de quadro Look falsificado

Geralmente são fabricados em países da Ásia, principalmente na China, e que ignoram completamente as normas de segurança e os direitos de patente.

O rombo fiscal é enorme, uma vez que os produtos entram por meios ilegais e sem pagar impostos, afetam o comércio das lojas de peças de bicicleta, mas, fundamentalmente, existe toda a questão da segurança do ciclista em utilizar produtos de baixa qualidade.

As redes sociais denunciam vários casos de quadros e outros componentes piratas de marcas consagradas que provocaram sérios acidentes.

As grandes marcas internacionais realizam vários testes antes de lançarem um produto. São testes de resistência, túnel de vento, ajustes no projeto original de forma que determinado produto atenda, e até exceda, aos exigentes requisitos das normas internacionais.

Os Piratas não têm essa preocupação!

A Pinarello Dogma é um dos modelos preferidos pelos falsificadores

As lojas de peças de bicicleta apontam marcas como Shimano, SRAM, Ritchey, FSA, Thomson, Giro, Oakley, Scott, Trek, Giant, Specialized, Colnago e Pinarello, como sendo as preferidas dos falsificadores e do comércio ilegal de bicicletas e componentes.

OEM
O mercado ilegal não é um problema exclusivo do Brasil. Depois que as grandes empresas da América do Norte e da Europa levaram suas fábricas, projetos e métodos de fabricação para a Ásia, não demorou até que surgissem no mercado mundial os primeiros indícios de componentes genéricos (sem marca) e atrás deles vieram as falsificações.

OEM significa em inglês Original Equipment Manufacturer, ou seja, Equipamento Original do Fabricante

A verdade é que produtos piratas ganham cada vez mais espaço no mercado a ponto de algumas empresas desse setor criarem departamentos específicos para combater a produção, distribuição e venda de produtos piratas em todo o mundo e contam com a seriedade das lojas de peças de bicicleta credenciadas por elas.

“A Specialized entende que a falsificação dos seus produtos, em particular dos seus quadros e capacetes, se apresenta como um grande risco para a saúde e bem-estar de todos nós”, afirma Gonçalo Costa, responsável pela operação do grupo no Brasil.

Kit de quadro OEM Cervélo

Em busca de mão de obra mais barata que em seus países, os fabricantes ocidentais buscaram parceiros na Ásia, sobretudo na China continental e em Taiwan, que produzissem de acordo com as exigências de qualidade e de segurança internacionais.

Assim, esses fabricantes norte-americanos e europeus firmaram contratos rígidos com empresas asiáticas que foram previamente certificadas para fabricarem produtos de alta tecnologia sempre sob a vigilância e observação de profissionais da marca original que encomendou os componentes.

É normal, portanto, que uma determinada fábrica em Taiwan, por exemplo, fabrique quadros para mais de uma marca, e o mesmo acontece com outros componentes. Esses grandes fabricantes estão amarrados a contratos de exclusividade e sob auditoria constante dos contratantes.

Quando um produto sai de uma dessas fábricas e vai equipar uma bicicleta de uma marca específica recebe o nome de OEM (Original Equipment Manufacturer), ou seja, Equipamento Original do Fabricante e, pelo menos em teoria, esse produto não chegará de maneira alguma nas lojas de peças de bicicleta e muito menos até o consumidor final.

Os produtos piratas têm diversas origens. Uma delas, e a mais perversa, são os produtos que são verdadeiras imitações dos produtos consagrados. São cópias pura e simples e muitas vezes são tão medíocres que é fácil de serem reconhecidas. Claro que existem cópias quase perfeitas que recebem erroneamente o nome de réplica, um mero eufemismo para falsificação, já que existem diferenças profundas na fabricação e, portanto, no nível de segurança oferecido.

Existem também os produtos genéricos e que não trazem nenhuma marca. Nessa categoria existem muitos quadros, capacetes, óculos e selins, por exemplo, que não têm identificação, embora tenham um design muito semelhante a modelos famosos e de alta aceitação no mercado.

MERCADO CINZA
Uma das maneiras que as mercadorias de origem ilegal chegam às prateleiras de algumas “lojas de peças de bicicleta” clandestinas, é conhecido como “mercado cinza”. Muitas vezes são produtos legítimos, fabricados nas fábricas certificadas, mas que foram desviados de seu propósito original que era atender os fabricantes de bicicletas.

Em geral esses produtos “cinzas” não possuem nota fiscal, já que entraram de maneira ilegal no País.

Veja essa nota no site da Polícia Federal datada em 01/06/2016:

PF prende dois passageiros no aeroporto de Guarulhos
Guarulhos/SP – A Polícia Federal, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, prendeu nesta quarta-feira (31), em ações distintas, dois passageiros de voos internacionais.

Servidores da Receita Federal, por meio do serviço de inteligência, identificaram um homem, suspeito de aplicar o “golpe do declarante”, e aguardaram seu desembarque de voo procedente de Milão, na Itália. Quando o passageiro entrou no canal de inspeção “declarante de bens” e informou que trazia na bagagem somente uma roda de bicicleta, cujo valor era de cerca de 800 euros, os servidores o conduziram a uma bancada para realização de uma revista detalhada de suas bagagens. Dentro das malas, foi encontrada uma grande quantidade de peças de bicicletas avaliadas em mais de 26 mil dólares, que teriam a obrigatoriedade de recolher aproximadamente 43 mil reais em impostos. O homem, proprietário de uma grande lojas de peças de bicicleta na cidade de Criciúma, em Santa Catarina, já havia realizado 24 viagens ao exterior nos últimos 9 anos. A PF foi acionada e prendeu o passageiro em flagrante pelo crime de descaminho.

O preso foi conduzido ao presídio estadual onde permanecerá à disposição da Justiça.

http://www.pf.gov.br/agencia/noticias/2017/06/pf-prende-dois-passageiros-no-aeroporto-de-guarulhos

Itens apreendidos no Aeroporto Internacional de São Paulo (Cumbica/Guarulhos)

Outra maneira que peças originais chegam de maneira ilegal ao mercado é pelo desmanche de bicicletas, sejam elas novas, seminovas ou furtadas.

Polícia encontra depósito com mais de duas mil bicicletas roubadas (Gazeta Online). 

COMO IDENTIFICAR
Seguem algumas dicas para auxiliar na identificação de produtos de origem duvidosa, sejam eles falsos, genéricos ou oriundos do mercado cinza.

Procedência: Um produto original de marca consagrada é vendido somente em lojas de peças de bicicleta autorizadas, seja loja física ou loja virtual. Consulte o site da marca para saber quem é o importador oficial para o Brasil e quais são as lojas autorizadas.

Preço: Não existem milagres, e todas as lojas de peças de bicicleta revendedoras trabalham mais ou menos num mesmo nível de preço. Desconfie quando um produto estiver num preço muito abaixo do mercado.

Visual: Analise com atenção o produto no site oficial da marca. Observe o acabamento, grafismo, pintura, adesivos, marcas em baixo relevo enfim, tudo o que pode ajudar na distinção de um produto original.

Peso: Informe-se a respeito do peso oficial do produto que está comprando e, se for o caso, exija que a mercadoria seja pesada na sua frente.

Numeração: No caso de quadros, todos saem de fábrica com um número de série que identifica onde foi adquirido, o lote e o ano de fabricação. Em caso de dúvida, vale a pena ligar no representante de oficial no Brasil e perguntar se aquele quadro é legítimo.

Não é difícil identificar lojas de peças de bicicleta sérias, veja no site do fabricante se a loja está em sua relação de revendedores, caso não encontre, ligue no SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) e se informe sobre o seu histórico.

Não incentive o crime e a violência. Não compre produtos de ciclismo sem procedência, a próxima vítima poderá ser você!

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Grandes Pedaladas para nós.

Elaboração e edição: Jefferson Neves e equipe BR Ciclismo/Accanti, com base no original de Marcos Adami

 

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